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ENCARNAÇÃO JOSÉ DE ALENCAR

Encarnação (José de Alencar)

O livro Encarnação, de José de Alencar, só foi publicado em 1877, postumamente. É o último dos romances urbanos do autor. As personagens femininas de Alencar propõem-se, inicialmente, como retratos emoldurados pela marca da firmeza, da inteligência e do espírito crítico. À medida que a narrativa se desenvolve, revelam-se como duplos da personagem masculina e confirmação do seu desejo.

A personagem feminina, criada no registro masculino, não coincide com a mulher real do cotidiano. No espaço da ficção, nasce a heroína literária romântica sempre pronta a ser o desejo do seu herói. No texto, surge uma miragem de mulher, tornando-se um modelo a seguir. Encarnação é o elogio da submissão.

No início do romance, Amália é aquela que zomba do amor romântico, do homem ideal, o “Fênix” dos maridos. Entretanto, ela mesma torna-se a Fênix de um desejo alucinado. Quando Hermano fica viúvo, ela procura a todo custo conquistar o seu amor. Bem narcisista, ela vê em Hermano a possibilidade de realização de um sonho, de preenchimento do seu tédio, de esperança e de plenitude. A diferença é que Amália morre enquanto Amália, mas Hermano permanece o mesmo. O processo de conquista implicará a transformação de Amália em Julieta, por meio de um jogo de gestos, penteados e hábitos da esposa morta, até que Hermano, confundindo as duas mulheres, acabará por apaixonar-se por Amália e realizar-se no imaginário desse amor de conjunção total. Com esse jogo, Amália perde sua identidade. Hermano se apaixona por um ideal.

Amália pode ser considerada o protótipo da submissão a um modelo patriarcal, por legitimar o narcisismo de Hermano. Ideal masculino, submissa, por isso é heroína.

No título Encarnação está implícita a atitude de Amália ao assumir a identidade de Julieta para conquistar o amor de Hermano.

Os espaços principais no romance são: o cotidiano da vida cortesã no Rio de Janeiro, segunda metade do século XIX, casa do Sr. Veiga (pai de Amália), casa de Hermano (ao lado), quarto de Julieta (cristalização de um passado), casa em ruína (libertação da imagem de Julieta morta, da obsessão).

O olhar sustenta a ficção. No romance, Amália cria sua ficção e faz dela a sua vida. A curiosidade e o olhar para as casas vizinhas estruturam o enredo e permitem o conhecimento e o contato entre os protagonistas.

As manifestações lúdico-musicais (ópera, teatro, piano, canto, sarau) comparecem nos romances urbanos de Alencar como ingredientes da “escolhida sociedade” da corte. Os eventos servem de aproximação e definição do par amoroso. O canto funciona como uma chave que abre a passagem entre o mundo da fantasia e o mundo da realidade, entre a mulher imaginada e a mulher com quem depara. Depois quebra a indiferença inicial entre Hermano e Amália. Esta percebe o sentido simbólico da ópera Lúcia de Lammermoor e a executa, com a intenção de atrair sua atenção.

São, ainda características marcantes na obra: foco narrativo entre primeira e terceira pessoas, metalinguagem, linguagem rica e minuciosa, enredo perfeito, grande suspense Vale a pena conferir a incapacidade de lidar com o passado de Hermano e a curiosidade e compulsão de olhar da personagem Amália.

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LINGÜÍSTICA GERAL E LINGÜÍSTICA ROMÂNICA: FUSÃO E CONFUSÃO ENTRE OBJETOS E MÉTODOS DA ( S ) LINGÜÍSTICAS E DA ( S ) FILOLOGIA ( S )

Pretendemos, aqui, levantar as diversas conceituações, em diversos autores, das ciências que se ocupam da Linguagem Humana, nos diversos aspectos:

Sincrônico e Diacrônico;

Textual, Contextual e Intertextual:

Descritivo, Prescritivo / Proscritivo e Produtivo.

Estando as tarefas dos filólogos e lingüistas em regime de interseção e de interdepêndencia, torna-se interessante observar como autores em diferentes épocas e em diferentes escolas as delimitaram, ou procuraram delimitar. Sendo esse um aspecto dos mais controvertidos em nossos tempos, cumpre-se fazer levantamento, ao menos sumário, da abrangência dos termos Filologia Românica e Lingüística Românica.

O título desse artigo fez-me lembrar texto apresentado pelo Prof. Celso Cunha, em 1973, em CONGRESSO INTERNACIONAL DE FILOLOGIA PORTUGUESA. Por diversas razões, só recentemente esse texto chegou-me às mãos, em forma mimeografada.

Logo no primeiro parágrafo, manifestou o prof. Cunha sua estranheza, pelo título do Congresso, pois já estava se habituando à diminuição do prestígio, no País, dos termos filologia e filólogo, diminuição por ele atribuída (lembremo-nos, em 1973) “à influência da lingüística monocrônica americana, de técnica descritiva e não explicativa.”

Ressalta, ainda, o prezado mestre, estar, mesmo na França, “o campo semântico de filologia restrito aos estudos dos textos literários e à sua transmissão, revestido, até certo ponto, de caráter pejorativo, pela rudeza com que alguns semiólogos ou formalistas da nova crítica, ridicularizavam os métodos de alguns de seus cultores”.

Também em outros países, onde o termo filologia já gozou de grande prestígio, (que em parte ainda conserva ) como Itália, Espanha, Alemanha, o aspecto tradicionalista da disciplina tem dado ocasião a críticas de lingüistas erroneamente fixados apenas à hora presente e que, por sua vez, acusam os filólogos de não se utilizarem de conquistas recentes, mantendo uma anacrônica fidelidade a métodos superados. No mesmo texto, o Prof. Cunha cita Hammarström, 1959: “A bem dizer, há um abismo entre a descrição dos filólogos e dos lingüistas. A primeira não faz progressos há cincoenta anos. Ela é, ainda, pré-saussuriana. Quanto tempo os filólogos, eruditos, e competentes em domínios distintos da descrição lingüística, prosseguirão nas maneiras de proceder que hoje pertencem ao diletantismo? Já não seria tempo de escolher: ou a renovação, ou o silêncio?”

Como não é situação para se provocar brigas, muito pelo contrário, sou levada a pensar que Hammarström via na filologia apenas a conservação e transmissão de textos medievais de línguas européias, com o registro de formas fonéticas arcaizadas e o seu possível étimo, latino ou não, o que já não seria pouco trabalho, pois incluiria o levantamento, dos documentos, sua autenticação, o desdobramento de abreviaturas etc. São operações delicadas que exigem domínio dos grafemas em relação aos fonemas, nem sempre fácil de ser obtido. “Deve o filólogo reconstituir a língua de seu autor, como um sistema em si, a um tempo sincrônico, sintópico, sinstrático e sinfásico e, por outro lado, deve estar em condições de observá-lo dentro do diassistema, ou seja, de um panorama que se desenrola em sua amplitude diacrônica, diatópica, diastrática e diafásica.”

A uma filologia atomística, linear, amesquinhadora, opõem-se, também, os bons filólogos, como, da mesma forma, os bons lingüistas. Façamos todos o exame da língua oral, no seu dia-a-dia, no seu sobreviver e renovar-se, assim como também da língua escrita, conservada nos textos mais ou menos antigos, como comprovantes de diversidades, de supostas “modernidades”, de formas regionais, tidas como desaparecidas. Se não os explicarmos, na totalidade, teremos, ao menos, a sua saborosa fruição como recompensa.

Situando a questão nos dias de hoje ( lingüística x filologia ), consultamos algumas obras, aleatoriamente, a ver como os diversos autores dividem, se é que dividem, as tarefas que competem ao lingüista e as tarefas que competem ao filólogo.

Segue-se, logo nesse ponto, por razões práticas, a bibliografia consultada, a qual será codificada para melhor manuseio:

CAMARA Jr, J. Mattoso. Princípios de lingüística geral.Rio: Acadêmica, 1964. (CAM)

FARACO, Carlos Alberto. Lingüística histórica. S. Paulo: Ática, 1991. (FAR)

IORDAN, Iorgu. Introdução à lingüística românica. Lisboa: Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1962. (IOR)

MELO, Gladstone C. de. Iniciação à filologia e à lingüística portuguesa. Rio: Acadêmica, 1971. (MEL)

MIAZZI, Maria Luísa Fernandez. Introdução à lingüística românica. S. Paulo: Cultrix, 1976 .(MIA)

SILVA NETO, Serafim, Manual de filologia portuguesa: história, problemas, métodos. Rio: Presença / Brasília: INL, 1988. (SIL)

Excetuando-se a obra de Mattoso Câmara, que se propõe e, de fato é, uma lingüística geral, nos demais só temos o título filologia, nas obras dos mestres Gladstone e Silva Neto, sendo que, com exclusividade, apenas nesse último.

Faremos, comparativamente, o traçado das definições e tarefas, atribuídas, por esses vários autores às disciplinas em questão:


FILOLOGIA GERAL / ROMÂNICA

LINGÜÍSTICA GERAL / ROMÂNICA

CAM


A lingüística propõe-se a estudar a língua e não o discurso, a fala, (a parole);nos discursos individuais, só devem interessar os elementos vocais coletivos e a sua organização normal. Se os discursos, que a cada passo, se nos apresentam à observação são atos mentais individuais, o indivíduo não cria a sua linguagem, apenas faz aplicação daquela que lhe foi passada e, até mesmo imposta no interior de uma sociedade . É, portanto a língua o objeto de estudo da lingüística. Ressalte-se a hipótese de depreender do ato lingüístico, o que há nele de individual, isto é, o esforço do falante em expressar-se da maneira mais adequada à situação em que se encontra, fugindo a automatização. A língua será, então, de maneira geral, coletiva; terá peculiaridades, ou, ao menos, preferências, constituindo assim, de certo modo, múltiplas línguas individuais, ou idioletos, mais adequadamente estudados pela estilística . O estilo é, em princípio, individual, mas os traços estilísticos coincidem, em grande parte, nos indivíduos pertencentes a uma sociedade. Em resumo, cada ato de linguagem se fundamenta num sistema lingüístico, que é, propriamente, a língua , e também sistematiza os recursos lingüísticos usados nas peculiaridades individuais e coletivas dos membros de uma comunidade. (p 12 e seguintes)

FAR


A lingüística histórica lida com o fato de que as línguas mudam com o passar do tempo: não são estáticas, pelo contrario, sua configuração se altera continuamente, no tempo e, também, no espaço. Essa dinâmica é o objeto de estudo da lingüística histórica. A maioria dos falantes, ou não tem consciência das mudanças, ou as têm como erros , com base num padrão , que deveria ser permanente, uma vez que não sofre variações uniformes, num mesmo ritmo. Culturas que possuem língua escrita tendem a desejar para essa uma uniformidade, cuja rutura só é observada e “perdoada” em textos muito antigos ou “regionalistas” O autor faz, ainda, distinção entre historia da lingüística e lingüística histórica, ressaltando ser a tarefa dessa última estudar as mudanças que ocorrem na língua à medida em que o tempo passa. (p. 7 e seguintes) .

IOR

Embora só há algumas décadas se fale de filologia românica, como uma ciência histórica, necessária ao estudo da língua românica escrita e falada, o certo é que ela não é descoberta das últimas gerações. Já na Idade Média se tinha desenvolvido o seu estudo, com fins práticos e teóricos, à maneira do que se fazia em Grécia e Roma com a língua e a literatura gregas e latinas. A partir do século XVIII, os estudos sobre as línguas e as literaturas românicas apoiaram-se nas ciências aparentadas, tidas como exatas, na época, compartimentada e enfileirada, alimentada e delimitada como o determinismo, o evolucionismo, o naturalismo, etc. Por outro lado, enquanto o nacionalismo favorecia o estudo dos falares locais, não deixando de opô-los aos falares padrão, o imperialismo tomava em consideração as línguas ditas selvagens. Também o estudo da história do país e das ciências jurídicas obrigava à coleta e à determinação do significado de palavras arcaicas existentes nas obras da história e do direito. A filologia passou a trabalhar sobre textos já existentes e ter a tarefa de separar a palavra dialetal da expressão equivalente da língua culta. Já, no século XIX, graças aos irmãos Grimm, Friedrich Diez e Franz Bopp, formou-se uma visão histórica da língua, com método e objetos próprios ( p. 8 e seguintes ).

Considerando Friedrich Diez como o pai da lingüística românica, o autor afirma ter sido esse estudioso o primeiro a dedicar-se ao estudo sistemático das línguas românicas, analisando e comparando, pela primeira vez, seu patrimônio, sua evolução fonética, seu sistema de flexão, de derivação e de sintaxe, servindo o método histórico-comparativo de elemento de confirmação de fatos já evidentes a muitos estudiosos do assunto. (p.7 e seguintes)

MEL

A filologia, confundida com a pior deformação da gramática, andou .entregue a indivíduos corregedores de erros. A conseqüência é que se foi filtrando entre os leigos um conceito bem pouco lisonjeiro de ser a filologia especulação de desocupados. Se ninguém pergunta a um matemático qual sua opinião sobre determinado ponto de sua matéria, não falta quem pergunte ao filólogo o que ele acha disso ou daquilo . O objeto da filologia é nitidamente estabelecido, com seus métodos próprios, seguros e apurados, com suas conclusões definitivas. Esse objeto é a forma de língua atestada por documentos escritos. Trata-se de uma ciência muito antiga e pode abranger um tipo de língua ou uma família de línguas. É, sem dúvida, uma ciência aplicada, onde se pode, ainda, incluir a história da literatura , já que, quem estuda cientificamente a língua culta portuguesa, tem que conhecer, muito bem seus monumentos literários. (p. 20 a 23)

Se a filologia stricto-sensu é o estudo científico de uma língua, atestada em seus documentos escritos, logo se deduz que, onde não há documentos escritos, não pode haver filologia. Não é, portanto, possível, uma filologia carajá . Cumpre ressaltar ser a filologia uma ciência aplicada, seu papel é fixar, interpretar e comentar os textos.

A lingüística, porém, ou glotologia, é ciência especulativa.

O seu objeto é a língua em si mesma, a língua como fato social. Não a língua A ou B, mas o fenômeno-língua, sua estrutura, seu conteúdo, sua essência, seus processos, suas relações com o pensamento, com o sentimento, com a vontade, com a sociedade, com a cultura, sua desagregação, causas de estabilidade e fatores de diferenciação, interação lingüística, etc. Onde houver atividade lingüística, haverá matéria para a curiosidade científica do lingüista: línguas de minorias, gírias , falar de crianças, jargões técnicos, etc. ( p. 20 a 23)

MIA

Costuma-se chamar filologia românica o estudo das línguas românicas, desde os tempos mais remotos até às fases atuais. A rigor, deve-se estabelecer diferença entre filologia e lingüística românica, ou seja, estudo de textos neolatinos (não apenas literários, como de ordem pragmática) e o das várias línguas oriundas do latim, tanto sincrônica como diacronicamente. Do ponto de vista filológico, portanto, cabe ao romanista a pesquisa e publicação de textos. ( p. 15 a 17) (A autora cita ainda o Prof. Sílvio Elia, que considera a filologia um aspecto da lingüística histórica, do plano diacrônico, em oposição ao plano sincrônico que seria a gramática) - (parênteses meus)

No plano lingüístico estudam-se os vários aspectos da história das línguas neolatinas, sua evolução a partir do latim vulgar, as influências externas que receberam, os contatos que mantiveram entre si, a sua fragmentação dialetal, enfim todos os fenômenos concernentes ao léxico, à fonêmica, à morfo-sintaxe, considerados dentro do conjunto neolatino. ( p. 15 a 17)

SIL

Não é absoluta e impermeável a distinção entre sincronia e diacronia . Cada estado de língua é continuação de um anterior e, por sua vez, encerra os germens que o tornarão um novo estado lingüístico . Se a filologia encerra os estudos possíveis sobre uma língua ou grupo de línguas, para tanto vai necessitar, muitas vezes, do fio condutor constituído por sólida base lingüística. Nas atividades filológicas há Marta e há Maria. Há o trabalho de campo, os estudos dialetológicos, a geografia lingüística, como há concentração na análise de antigo texto da língua, ou nas várias fases evolutivas dela. ( p. 15 a 18)

A lingüística é uma ciência de princípios gerais, aplicáveis a quaisquer línguas. Desse modo, não podemos falar em lingüística francesa, lingüística inglesa, etc.; lingüística será sempre geral. Por sua vez, o lingüista tem que conhecer os fatos da história de várias línguas, para poder alcançar seus princípios gerais. (p. 15 a 18)

Fizemos, aqui, transcrições não aspeadas dos autores citados, pois vimo-nos na necessidade de resumí-las, na esperança de não ter faltado à fidelidade ao que foi dito.

Podemos observar, assim diversos pontos de vista, ou diversas colocações, como se diz mais modernamente. Podemos escolher entre elas, ou somar umas com as outras, no todo ou em parte, ou ficarmos numa atitude, tão conciliatória como ávida de trabalho, com todas elas.

Espero que os senhores lingüistas/filólogos, assim como os senhores filólogos/lingüistas tenham material que nos leve a meditar e a unir cada vez mais nossos esforços.

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POEMA OU POESIA - PRINCIPAIS FORMAS ATUAIS DE PRODUÇÃO POÉTICA


POEMA OU POESIA

Tem-se a partir ou não do trabalho artístico dos versos as concepções de:

prosa poética ou poesia livre ou simplesmente poema – é o texto onde o que conta é o conteúdo envolvendo sentimentos profundos vindos da percepção humana do mundo e de si mesmo, considerada, por muitos, como uma poesia contextual;


poesia, que apresenta o trabalho artítico-lingüístico nas palavras da poesia de modo a ajustar o conteúdo em rima e/ou métrica (há poesias com métrica e sem rima, e vice-versa), podendo nem sempre falar de sentimentos e belezas, até mesmo descrevendo objetos.


Uma poesia é dividida em estrofes e versos. Estrofe é um conjunto de versos. Verso é cada linha da poesia.


ASPECTOS TÉCNICOS DO TEXTO POÉTICO


Muita dúvida é gerada quanto aos aspectos técnicos da poesia. Neste texto, tenta-se explicar isso do modo mais simples possível.


Estrofação: a divisão de uma poesia em estrofes.


De acordo com o número de versos, uma estrofe pode ser:

Monóstico: estrofe de um verso;

Dístico: dois versos;

Terceto: três versos;

Quadra (quarteto): quatro versos;

Quintilha: cinco versos;

Sextilha: seis versos;

Septilha: sete versos;

Oitava: oito versos;

Nona: nove versos;

Décima: dez versos numa estrofe.


Métrica Poética do Verso


A divisão e a contagem das sílabas poética de um verso também pode ser chamada de escansão ou métrica poética. Metrificar ou escandir versos, então, é dividir silabicamente um verso poético.


A métrica poético-silábica é diferenciada da regra comum gramatical. Contam-se as sílabas até a última sílaba tônica do verso, dado a sobressair-se sonoramente em relação à(s) posterior(es). Os encontros vocálicos entre as palavras são fonemas aglutinados durante a declamação do verso. Quando há vírgula entre o encontro de vogais, não há aglutinação. Por causa da vírgula, que continua valendo como uma pausa na leitura, costuma não haver a aglutinação durante a declamação.


Quanto ao número de sílabas, um verso pode ser:

Monossílabo: uma sílaba poética;

Dissílabo: duas sílabas;

Trissílabo: três sílabas;

Tetrassílabo: quatro sílabas;

Pentassílabo (redondilha menor): cinco sílabas;

Hexassílabo: seis sílabas;

Heptassílabo (redondilha maior): sete sílabas;

Octossílabo: oito sílabas;

Eneassílabo (jâmbico): nove sílabas;

Decassílabo: dez sílabas;

*Na forma clássica, os versos versos decassílabos podem ser: heróicos, quando apresentam uma tônica 6ª e 10ª sílaba do verso; e sáficos, se as tônicas forem na 3ª ou 4ª, 8ª e 10ª sílabas.

Hendecassílabos (datílicos): onze sílabas;

Dodecassílabos: doze sílabas;

* Na forma clássica, os versos dodecassílabos, são chamados alexandrinos e apresentam tônica na 6ª e 12ª sílabas e tem uma cesura, ou seja, uma pausa marcada (normalmente, por vírgula) depois da sexta sílaba, separando-o em seis sílabas poéticas de cada lado.
Bárbaros: com mais de doze sílabas.


Atualmente, muitos poemas se apresentam sem métrica ou apresentando uma métrica variada, combinada com cadências musicais, outros seguindo a tradição dos poemas românticos e clássicos que normalmente apresentavam poemas com versos específicos: decassílabos (10), dodecassílabos (12), podendo apresentar variações de pentassílabos (5) e hexassílabos (6).


A / mor / é / fo / go / que ar / de / sem / se / ver / 10

é / fe / ri / da / que / dói, / e / não / se / sen / te 10

(Camões)

Nós / so / mos 2

de u / ma / ge / ra / cão / pós / guer / ra, 7

de u / ma / ge / ra / ção / pós / Cris / to, 7

de u / ma / ge / ra / ção / pós / Bea / tles. 7

Nós / so / mos... 2

Nós / so / mos 2

um es / to / pim / bem / cur / to, 5

u / ma / bom / ba, 3

pres / tes / a ex / plo / dir 5

(Música MPB: Geração, de Biné Zimmer)


Rima Poética


Rimas são sons coincidentes que apresentam uma cadência sonora na poesia.
Versos denominados versos brancos são os que não rimam com nenhum outro.
Levando em consideração os versos que rimam, pode-se classificar a rima em:


Se uma lágrima as pálpebras me inunda, A

Se um suspiro nos seios treme ainda, B

É pela virgem que sonhei!... que nunca A

Aos lábios me encostou a face linda! B

(Lembrança de Morrer: Álvares de Azevedo)


A estrofe acima apresenta rima alternada em seus versos.

Alternada: em versos alternados, ou seja, salteados por outro verso. A – A / B – B


De tudo, ao meu amor serei atento A

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto B

Que mesmo em face do maior encanto B

Dele se encante mais meu pensamento. A

(Soneto da Felicidade, Vinícius de Moraes)


A estrofe acima apresenta rima interpolada por rima emparelhada.

Interpolada: em versos interpolados por mais de um verso. A – – A

Emparelhada: em versos consecutivos. BB


Na poética moderna, é comum o uso de rimas mistas.

Mistas: as rimas da poesia não seguem esquematização regular, como as anteriores.


Embora incomuns, existem as rimas continuadas.

Continuada: rima repetida ao longo do poema. Supostamente, num soneto, seria assim:

AAA AAAA AAA AAA


Rima Gramatical: de acordo com a classe gramatical das palavras que rimam no final dos versos, a rima é classificada?

Pobre: quando as palavras de mesmo som no final dos versos têm a mesma classe gramatical.
Rica: quando as palavras de mesmo som no final dos versos têm a classe gramatical diferente.


São consideradas rimas internas dos versos, ou seja, acontecem no próprio verso, não de um verso com o outro:

Aliteração: é a repetição constante de um mesmo fonema consonantal.
"Vozes veladas, veludosas vozes..." (Cruz e Souza) Aliterações v (s z, com som de s)
Assonância: é a repetição constante de um mesmo fonema vocálico.

PRINCIPAIS FORMAS ATUAIS DE PRODUÇÃO POÉTICA


Atualmente, a linguagem poética tem apresentado as seguintes variantes:


Poema Livre: sem regras específicas de forma e métrica poética.


Dueto: em qualquer das formas, produzido por 02 escritores.


Haicai : poesia de uma única estrofe, com versos divididos em 5, 7, 5 sílabas poéticas.


Surgiu no Japão, com Bashô, que criou a forma métrica 5 – 7 – 5. A essência de seu conteúdo é a pureza, a beleza, como uma estrofe inspirada, normalmente abordando elementos da natureza, como as estações do ano, as águas de um rio, o estopim de um vulcão, a calmaria no mar, uma tempestade.

No Brasil, a forma mais apreciada é a de Guilherme de Almeida, ou o chamado Haicai Guilhermino, com a forma métrica também em 5 – 7 – 5, mas com o primeiro verso rimando com o último e o segundo verso apresentando uma rima interna na segunda e na sétima sílaba poética.

"O sol apressado,

espalha a doirada toalha

sobre o chão molhado."

Eno Teodoro Wanke.


Soneto: poesia formada por dois quartetos e dois tercetos, normalmente, composta por versos decassílabos (soneto heróico, de 10 sílabas poéticas) e de conteúdo lírico ou rimado.

Surgiu na Itália, no século XII. Sua criação, inicialmente, foi atribuída a Píer della Vigna. Atualmente, estudiosos inclinam-se a considerar que Giacomo da Lentino seja o inventor do soneto.


Já foram feitos sonetos de várias métricas, até o dodecassílabo (alexandrino, de 12 sílabas poéticas). Quanto à rima, tem apresentado variações, inclusive, já existe soneto de versos brancos, ou seja, sem rima.

Dentro da poesia, até os dias atuais, é considerado uma obra de arte destacada.


Ex. Ambitio, por Marco Bastos Clique aqui para acessar.


Rondel: poesia formada por duas quadras e uma quintilha.


Surgiu na França, no século XIII. Não há variações na sua forma. Os dois primeiros versos da primeira quadra, se repetem nos dois últimos versos da segunda quadra. O primeiro verso do poema, também costuma ser o último.


Ex. A Felicidade Está..., por Esther Clique aqui para acessar.


Rondó: poesia com estrofação composta por quadras.


Surgido na França, na mesma época do Rondel , como um ritmo que acompanhava a dança de nome “Ronde”.


Ex. Rondó de Natal, por Ana da Cruz e Hildebrando Menezes Clique aqui para acessar.


Vilanela: poesia formada por uma quadra e vários tercetos (sem número definido), com a métrica de versos em redondilha maior (7 sílabas), e a rima alternada. O primeiro e o terceiro verso da primeira estrofe aparecem alternadamente como último verso nas estrofes seguintes.


Indrisso: poesia de quatro estrofes, com duas estrofes maiores de mesmo número de versos; seguidas por duas estrofes menores de mesmo número de versos, tipo duas estrofes de quatro versos, seguidas por duas de um (44 11) e demais possibilidades (33 22 - 22 11 - 33 11).

Criado, no século XX, na Espanha, por Isidro Iturat, na década de 70, quando este autor, repensando a forma do soneto, resolveu fazer esta variante, que caiu no gosto de outros autores.


Acróstico: poema que cujos versos formam, verticalmente, com as letras iniciais, uma palavra, pensamento ou nome próprio.

Não se sabe precisar a data de criação desta forma literária nem seu criador, mas acredita-se que tenha nascido de uma homenagem, feita de uma maneira lúdica, mais solta, de um escritor brincando com as palavras.

...

* Vale lembrar que os trabalhos metrificados, normalmente, são também rimados.

FONTES CONSULTADAS

Assis Brasil, Vocabulário Técnico de Literatura. Ediouro, 1979.
Bashô. Trilha estreita ao confim. Iluminuras, 1997.
Franchetti, P. Guilherme de Almeida e a história do Haicai no Brasil. In Haicais Completos, Aliança Cultural Brasil-Japão, 1996.
Massaud Moisés, A Criação Poética. Melhoramentos, 1977.

CRUZ, Ana da. Rima e Métrica Poética (Resenha). Mural dos Escritores (Blog). Disponível em URL: [http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/rima-e-metrica-poetica] 15/01/2009. Licença Atual: Copyright.

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